9.12.06

rogério ceni

Jogava bola como ninguém, era um matador. Nas peladas do sítio, era sempre o artilheiro, disparado. O time que ficava com ele, no entanto, tentava de todo jeito anular o sorteio. Às vezes, os jogadores, revoltados, ameaçavam nem entrar em campo. Melhor perder por W.O. do que passar pelo vexame. É que o moleque era mesmo um talento, mas não podia ver um gol, do seu time ou do adversário, que metia a bola dentro. Jogo com ele nunca acabava com um ou dois gols. Fazia logo uns dez. Em dias bons, cinco a favor e cinco contra. Se o outro time não fizesse nenhum, dava um comemorado empate. O mais comum era fazer logo os dez de um lado só, o seu. Rogério lutava contra o impulso, mas não adiantava. Quando via o gol, batia. Acabou condenado a goleiro, de costas pro gol. De lá só saía em casos especiais, diretamente pra área do adversário. Batia, não tinha erro, era gol.

11 comentários:

Anônimo disse...

oh ceus!!!!! que versatilidade da cronista. e pensar que à beira da piscina ela estava distraida? ledo engano.armando nogueira e outros menos votados que se cuidem.Oh gui. definitivamente surgiu um nelson rodrigues de saias

Anônimo disse...

o anonimo tem razão, com as cronicas anteriores e essa sobre futebol, e nelson rodrugues com certeza. a grannnnde diferença é que a cronista e mengoooooo.

Mariana disse...

mengo!!!

Anônimo disse...

Essa cronista é muito versátil mesmo:escreve bem em todas as áreas - sem trocadiho.

Anônimo disse...

pena que esse talento nao tenha ido para o vasco, flu, botafogo e outros que tais.

Anônimo disse...

O homem gol é do gol!
O melhor de tudo foi sua atuação no palco junto com o palhaço do circo de solei

Anônimo disse...

um berserker dos tempos modernos

Mariana disse...

berserkers sabiam de que lado estavam, imagino. rogério ceni está mais pra ulisses, amarrado ao mastro, ou a sua área, pra resistir à tentação de chutar pro próprio gol.

Anônimo disse...

depois de um caldo de cogumelo e uma histeria coletiva auto-induzida, os berserkers, acometidos por uma furia bestial, se atiravam ao campo de batalha. com sua racionalidade reduzida a niveis animalescos, suas vitimas eram escolhidas com uma certa aleatoriedade.
uniforme e bandeira nao queriam dizer mta coisa, o melhor mesmo era sair da frente..

Mariana disse...

ok, vc deve entender mais disso do que eu, mas continuo apostando no ulisses.
gostei da descrição, s. deu pra imaginar bem a divertida cena.

Anônimo disse...

Nessa...tô fora!